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Se não fossem os
estoques internacionais de arroz, o mundo estaria desabastecido
do principal alimento consumido pela população. O alerta é do assessor de
mercado do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Camilo Oliveira. Ele afirma que até 2050, será
necessário produzir 260 milhões de toneladas adicionais para sustentar a
alimentação de mais 2,8 bilhões de habitantes no planeta. O problema,
segundo Oliveira, é o rápido avanço das culturas bioenergéticas e um
aumento da produção que não acompanha o crescimento vegetativo da
população.
A partir dos anos 2000, o consumo superou a produção mundial. As projeções
atuais indicam que o consumo de arroz neste ano atingirá 620 milhões de
toneladas para uma produção de 618 milhões de toneladas. “O que ainda
abastece o mundo são os estoques de safras passadas, que estão diminuindo
rapidamente”, diz, ressaltando que em 1998 os estoques representavam 197
milhões de toneladas e irão passar para 106 milhões em 2008.
O crescimento da demanda mundial por cultivos destinados a múltiplos usos –
alimento e biocombustível - principalmente milho
e soja, explicam tal cenário. “A melhoria da renda mundial, principalmente
nos países mais populosos, resulta em aumento da demanda por carnes e
conseqüente valorização das commodities destinadas
a alimentação animal, como soja e milho”, explica. Conforme Oliveira, os
países Centro-Americanos estão substituindo o
arroz e outros produtos tradicionais, por cana-de-açúcar e palma, por
exemplo.
A África e Oriente Médio são exemplos de produção que não comporta o
consumo. Os países que compõem os dois blocos importam cerca de 16,3
milhões de toneladas e concentram boa parte da população mundial. De acordo
o assessor, o cenário favorece o crescimento dos preços internacionais.
Para o arroz, a estimativa é de que até 2009/10 a produção mundial terá um
crescimento inferior a 1% ao ano, enquanto o consumo ficará acima de 1%. “O
quadro de oferta e demanda está extremamente ajustado, inclusive no
Brasil”, completa. No País, o cenário é parecido. Há pelo menos três safras
o consumo é superior a produção e a manutenção da área plantada no Rio
Grande do Sul e em
Santa Catarina é tido como fundamental para o abastecimento.
O Brasil tem um consumo previsto para 2008 de 13,2 milhões de toneladas e a
safra está projetada em 12 milhões, sendo que 60% corresponde ao arroz
produzido no Estado. Segundo os dados da Companhia Nacional de
Abastecimento (Conab), o País deverá importar
mais de 1 milhão de toneladas, o que prejudica a comercialização por parte
dos arrozeiros gaúchos. Mesmo assim, os estoques finais reduzirão em torno
de 24% no Brasil.
Fonte: Correio do Povo
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